Carnaval 2026

No país da ilusão onde o real beira o inacreditável, viajaremos nas asas da pomba encantada, para descortinar os palcos da vida e novamente encenar “A Divina Comédia Brasileira”.

No carnaval de 2026 a Renascer de Jacarepaguá fará uma analogia entre a obra de Dante Alighieri e o dia-dia do povo brasileiro que enfrenta seus infernos diários com o descaso da política, peleja no purgatório da indiferença, no abandono social e na desigualdade desmedida, mas que nunca perde a esperança de desfrutar do paraíso nem que seja ele carnavalesco.

Atravessaremos os porões de uma nação profunda para mergulharmos nessa jornada, onde cada detalhe de um cenário místico nos revela pouco a pouco as dores e dissabores dessa gente moldada na raça e na coragem. 

É o Brasil como personagem vivo, que mistura no DNA de seu povo a dor e a persistência, que entrelaça na alma de sua gente a tragédia, a comédia e uma força estranha e inexplicável de seguir em frente.

Esse é o teatro cotidiano dessa gente valente, que segue firme na corda bamba da vida entre o caos e a poesia.

Sem perder a coragem embarcam diariamente numa epopéia sem fim.

E apesar de tudo, carregam na face a persistência, pois acreditam sem fraquejar que o amanhã ainda é o verbo da esperança.

E é neste palco do descaso, que embarcaremos nesta divina comédia de múltiplos personagens tão cheia de lutas que não perdem sua graça, para mostrar uma nova ótica aos velhos problemas de uma nação que insiste em não valorizar seu povo. 

História

No palco insano de uma terra quente, onde a esperança arde em chamas, ouve-se o riso e o pranto caminhando em passos lentos em meio à sorte e o descaso.

Na imensa selva do abandono, a favela abre-se em flor, revelando em poesia as mazelas de sua gente, e parece não crer na realidade desfraldada a sua frente.

Entre o caos, a fé e a ironia, quem deveria cuidar de seu povo, rema seu “barco” importado, feito Caronte trajado com terno de linho e cabelo engomado, que parece gargalhar das promessas cuspidas em horário nobre.

Nas vielas onde o sol reluz com medo, o silencio aprende a gritar sem falar neste limbo de mistério velado.

Descem às almas em prantos as profundezas deste abismo tropical, onde sonhar com a paz não é o bastante.

É preciso sambar, rezar, resistir, para não perecer, nem perder o futuro dessa nação, que caminha errante perdendo sua fantasia, virando estatística e correndo na contramão.

A inocência se curva diante da necessidade, vendendo seus sonhos, driblando feras vorazes, testemunhando seu próprio abandono, pois no palco da vida, a tragédia é rima, é resistência, é revolução.

E neste inferno sem demônios alados, já não há somente o fogo a queima roupa, há gritos engasgados descendo goela a baixo da dignidade que finge morrer para não sucumbir.

Caminha o povo no purgatório que fere a terra, que faz da dor o atalho entre a escuridão e a luz.

Nesta ciranda da ginga e do jeitinho, estão cerceando os sonhos, taxando o trocado de quem segue na lama.

 E na dança envolvente da velha armadilha, a fera se encontra a espreita, rugindo baixo, faminta, com fúria nos dentes a observar sorrateiramente.

É preciso declarar o suor, o ganho na luta, para saciar a fome de leão que consome o sistema, e o pobre que se vire vendo sua renda escorrer pelas mãos.

A renda que entra é o imposto que alimenta o esquema.

A fome é a realidade restituída que não pede licença, que se senta à mesa dos desfavorecidos, reduzindo em migalhas a expectativa, enquanto os abutres se fartam do banquete.

Acorda Brasil, investe em teu povo!

Tua saúde é frágil, doente, cansada de esperar na fila, jogada sem leito, resistindo na base da fé, esperando um milagre que parece não chegar.

Teu plantão é lotado, é criança que chora, mãe que se desespera é o idoso que não resiste à espera sem fim.

Brasil, teu povo padece entorpecido nas ruas feito almas moribundas vagando na fantasia, que se debruça na janela do despenhadeiro a espera de uma solução.

Mas sonhar faz parte onde o samba ecoa, quando o céu se acende, o paraíso floresce com nobreza nos pés, onde o futuro cresce sem medo construindo suas memórias, sem precisar ferir pra prosperar.

Esse Brasil sonhado, sem muros nem filas, que partilha o pão, que educa que brinca sem medo sem pedir esmola.

Nesse país da ilusão são os anjos que guiam a esperança de uma pátria renascida em versos, livros e cadernos.

É a infância aprendendo a voar sem receio, desenhando o infinito, deitando em berço esplêndido, libertado pela educação.

E na magia do carnaval o coração pulsa forte, a fantasia se veste de esperança para enfeitar as ruas, becos e vielas.

Vamos renascer no paraíso de um futuro digno, onde a vida floresça de verdade, que a dignidade enfim tenha voz, respeito e inclusão.

E nessa apoteose da alegria, que a Renascer de Jacarepaguá seja o grito deste povo em construção, que acredita sem perder a alegria, que esta nação ainda tem salvação!

Ficha Técnica

Presidente: André Augusto de Abreu – Dedé
Diretores de Carnaval: Victor Rangel, Rogério Lobo e Leo Castro
Direção de Harmonia: Nivea Maria
Carnavalesco: Rodrigo Pacheco
Mestre de Bateria: Felipe D´Lélis
Autores: Cláudio Russo, Carlinhos do Cavaco, Julinho Cá e Jefinho do Amaral

A Divina Comédia Brasileira

Na selva imensidão,
Escuridão, concreto armado
A infância na contramão
Malabarista do sinal fechado
Desassossego, desemprego e opressão
Quem taxa a renda é a mordida do leão
A loba é mãe da exploração faminta vil
Como é que pode faltar o pão no Brasil!!!
Conheço as letras que vão me iluminar
Vou aprendendo para um dia ensinar

Tá no poder herói ou farsa
A esperança não venceu
Eu tenho medo desse mundo de trapaça
Vá pro inferno aquele que já se vendeu

Retorno à lida, é a vida afinal
Meu anjo me guia pra longe do mal
Nas ruas emprego informal
Saúde doente, manchete em jornal
Chego ao paraíso
Libertado pela educação
Quatro dias de festa me acabo
Ao povo o recado que há salvação

No pais da ilusão é carnaval
Vai rolar um bafafá
O Renascer coloca a lenha na fogueira
Deixo a comédia brasileira me levar